sábado, dezembro 24, 2011

Professores para exportação neocolonial

Já era de esperar que depois de Pedro passo de coelho (isto é, saltitando de ideia completamente disparatada para outra completamente irresponsável, ameaçando perigosamente o recorde de Cavaco) o Brasil viesse dizer o que disse: "O Brasil não precisa de professores portugueses". E Angola veio dizer que preferia apostar no "mercado" interno. O jovem primeiro-ministro português cuja experiência laboral é sobejamente conhecida, pelo menos a avaliar pelos CV divulgados na imprensa e na Internet, com o seu voluntarismo e vontade de se livrar dos trabalhadores inscritos no IEFP e assim baixar a taxa de desemprego, apenas mostrou que o seu papel de engajador de emigrantes é, afinal, tão só e apenas um tique neocolonial e a revelação do pensamento do Governo sobre as soluções que tem para criar emprego neste país.
Esta desajeitada e infeliz declaração de Pedro passos de coelho a esconder-se na toca para fingir que este embaraçoso episódio nunca aconteceu, deixa finalmente perceber o sentido das insistentemente repetidas frases: "Não há alternativa à austeridade", "não há opção ao caminho que este governo escolheu". Não há opção nem alternativa porque o Governo que os portugueses escolheram vai para 6 meses não consegue pensar, é incapaz de produzir uma ideia para além daquela que lhes foi apresentada por terceiros, o que significa que se não lhes tivessem dado esta brilhante ideia da austeridade, sufocando pelo garrote os que trabalham, nem esta ideia teriam.
Quando o garante de alguma clareza de pensamento passa a pertencer a Cavaco Silva estamos perante a imagem de um corpo que repentinamente se vira do avesso e são as entranhas que passam a fazer o papel da pele. É tão arrepiante como eu achar que Cavaco é o único político deste país a exercer um cargo público que tem um discurso lúcido. E acho. Estou aterrado.
O mais aterrador no entanto são as tentativas para justificar/desculpar ou coisa parecida, esta "ideia" que um desconhecido secretário de estado de Miguel Relvas, que Pedro Passos Coelho abraçou, tão singelamente. Paulo Rangel veio dizer que não bastava o incentivo de um primeiro-ministro que vem dizer aos seus quadros mais qualificados, jovens que são o garante do futuro económico do país, onde se incluem os professores, e que nos custaram milhões de euros a formar - vão-se embora, que este país não é para jovens -, este país não é para gente formada e inteligente. Agora Paulo Rangel vem em ajuda do primeiro-ministro mais infeliz e adstringente que o pais já conheceu. Vem dizer que não basta ter um ministro engajador de emigrantes, é preciso, organização (provavelmente para que os jovens estouvados não se acotovelem nos aeroportos, como fazem para entrar nos concertos de verão). Diz este Deputado europeu que o Governo deve criar uma agência para apoio à emigração. É uma brilhante ideia, reveladora de uma mente surpreendente pequena, numa altura em que este Governo anda a extinguir e a fundir organismos com "critérios" pensados com a unha do dedo mindinho do pé direito, o surpreendentemente tacanho de ideias Paulo Rangel sugere nem mais nem menos do que uma agência oficial de auxílio à emigração, uma agência de engajadores oficiais. Será que também vão ser responsáveis pela criação de corredores de emigração a salto para se atravessar a fronteira em mais segurança do que se fazia nos anos sessenta?
Este Governo vai de tal forma que só espero, para bem de Portugal, que não lhe aconteça como aos sapos a quem os miúdos, na minha juventude, punham a fumar.

sábado, dezembro 17, 2011

Fundo de Pensões dos Bancários

São seis mil milhões, cerca de 4% do PIB e o défice por via dessa receita extraordinariamente colossal, só faz baixar o défice de 5,9% para 4, 5% do PIB. Eu não percebo, ou me estão a mentir outra vez, o que já não me admira, é um hábito neste governo, ou então estão a mentir outra vez aos portugueses, o que é um hábito deste  governo. Quererá isto dizer que o défice sem estes seis mil milhões, seria de 9,9%? Então andam a cortar que é vê-los de corte em corte até à banha final e depois dá nisto? Se o défice previsto fosse mesmo de 5,9% estaríamos agora à espera de um défice de 1,9%. Qual será a mentira desta vez? O que é que o Vítor, o Pedro, o Álvaro e o Paulo, e outros primeiros nomes sem apelido ou nome de família de que se orgulhem, nos estão a esconder? E a oposição não percebe isto? E não diz nada? O PS é normal, está seguro de que o silêncio ou as asneiras dos seus jovens e infelizes dirigentes é que são oposição. Agora o PCP e o BE que depois de se terem coligado com a direita para a pôr no poder agora assobiam para o lado, também não dizem nada?

domingo, novembro 13, 2011

Porque não te calas?

Sim, quando se abre a boca e não se consegue outro efeito nos cidadãos que não seja um enorme embaraço e uma vontade enorme de que, no estrangeiro, não nos perguntem quem esta figura, o que nos dá vontade de dizer é o famoso e real "porque não te calas?" Para lá de envergonhar o País, fica quietinho, deixa o tempo passar, vá lá, por favor.  

domingo, outubro 23, 2011

O mentiroso pelas suas próprias palavras

Passos a passo, mentira a mentira, palavras para quê, é o homem que foi capaz de tudo para chegar ao poder. Então o Sócrates é que era o mentiroso? e este? Aqui fica o vídeo que vos deixo com a devida vénia e apreço pelo autor. Caros leitores eis Passos Coelho nas suas próprias palavras. O povo pode não ter memória, mas felizmente há televisão e quem se dê ao trabalho de compilar estas pérolas dos que nos prometem verdades, chamando mentirosos aos outros e depois mordem a própria língua e a JSD não pede para serem julgados pelos atos que praticam depois de chegar ao Governo de Portugal.

Cavaco também aderiu aos indignados

Cavaco está indignado com a falta de equidade nos cortes dos subsídios dos funcionários públicos. Cavaco bem pode estar indignado mas não vai vetar a Lei do Orçamento. Isto é, Cavaco indigna-se por que não tem responsabilidades executivas. A única coisa que podia fazer, vetar a Lei do Orçamento, não vai fazer, porque então o caos ainda seria maior.
Cavaco pode dar-se ao luxo de ser um indignado. Não vai acampar com os outros indignados por causa dos resfriados, mas é um bacano ao indignar-se. É completamente irrelevante a sua indignação mas até a Avoila na sua ingenuidade infantil Bloquista o aplaude.
Cavaco tem razões para ver as vacas sorrirem. Se calhar apanhou-as a comer daqueles cogumelos psicadélicos. Eu próprio, se fosse uma vaca, ao ouvir Cavaco indignar-se também descobriria o sorriso. Eu, se fosse vaca, poderia, ao ouvir Cavaco indignar-se sobre este assunto, perceber o famoso slogan da vaca que ri.   A vaca ri porque, ao contrário da oposição e da esquerda portuguesa, percebe que Cavaco é um grande pândego. Gosta, como a famosa tia de Raul Solnado, de dizer coisas.

domingo, outubro 16, 2011

Julguem os culpados

Que neste país democrático haja coragem para julgar os verdadeiros culpados pela crise. Julguem os eleitores.

quarta-feira, outubro 05, 2011

5 de Outubro de 2011

Marca o dia em que Cavaco disse pela enésima vez que já tinha avisado para a crise. Hoje assinala-se também o primeiro dia em que Cavaco fez uma descoberta merecedora do Nobel da economia: descobriu hoje, por volta das onze e meia da manhã, que há uma crise internacional. Aguarda-se com ansiedade o dia em que Cavaco vai descobrir que a crise económica portuguesa teve início com a sua fantástica governação como primeiro-ministro em que inventou as Parcerias Público-Privadas e a inefável Manuela Ferreira Leite, a cara de pau da economia portuguesa.
A Praça do Município estava às moscas ou foi só impressão minha?
Quem é quem é que para dizer o que diz mais valia respeitar um voto de silêncio até ao fim do mandato?

A) Alberto João Jardim
B) Mira Amaral (por causa do cuspo)
C) Cavaco e as suas vacas sorridentes

quinta-feira, setembro 08, 2011

Mais português e mais matemática

É curioso que toda a gente ache excelente que se aumente o número de horas de aulas de português e de matemática sem que alguém se interrogue sobre a qualidade das horas que se davam até aqui, como se o problema tivesse sido estudado e a conclusão tivesse sido "a metodologia, a pedagogia usada é boa os professores só precisam de mais horas para ter melhores resultados". Ora que se saiba, nem há nenhum estudo nem está provado que, pedagogicamente, se esteja a agir da forma mais adequada para responder às necessidades dos alunos e, pior, que os professores estejam a ser pedagogicamente preparados para responder às exigências do ensino que devem ministrar. Por mim, que tenho da matemática as aprendizagens que consegui apesar do que os meus maus professores me proporcionaram, devo dizer que, se nada mudou desde então, só me admira que os resultados nacionais não sejam piores. Tirando um, que de facto sabia ensinar e motivar para a aprendizagem da matemática, devo dizer que, ao longo da minha passagem pelo ensino básico e secundário, só tive maus professores que até podiam ser cientificamente bons mas que não sabiam ensinar. Eram pedagogicamente incompetentes e, no meu caso, tive de aprender apesar dos "professores" de matemática que tive, nunca chumbei, mas nada devo àqueles professores. Quanto aos de Português basta lembrar um recente artigo do Professor Doutor Carlos Reis, no Público para termos sérias dúvidas.
Podem aumentar as aulas para 20 horas por semana, se não melhorarem a qualidade do ensino não haverá melhores resultados. Um ensino mau 2 horas por semana não fica melhor se for aumentado para 4. São apenas mais duas horas de mau ensino. Sobre a qualidade dos alunos, enfim, é preciso não esquecer que vivemos num país onde os país são grandes responsáveis pela não dignificação da Escola e pela não valorização da Educação. Sobre o ministro parece que as suas ideias de fazer implodir o ministério se estão a transformar no fast food do monstro.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Oposição e gordura

Finalmente há oposição ao Governo. É um pouco como uma espécie de autogolo mas existe. O PPD à falta de melhor decidiu ser oposição a si próprio. É que o PS continua inanimado e isto assim não dá luta. Pensou-se que Seguro tinha dado o pontapé de saída mas afinal foi só um suspiro de um partido em estado vegetativo que se encontra ligado à máquina... partidária.
Para o PPD, por enquanto, é só oposição extraparlamentar, mas se a coisa continua há fortes possibilidades de a bancada do PPD dar uma ajudinha.
Paulo Macedo, entretanto diz que os cortes na saúde não são afinal nenhuma estratégia... Fiquei preocupado, é que se estes cortes não fazem parte de uma estratégia para diminuir a famosa gordura do Estado será porque afinal não há gordura? ou será que a gordura está nos transplantes que como todos devem concordar são algo externo ao corpo e logo não fazem falta. É puramente estético, uma mania. Um coração novo? um fígado catita, um rim com menos rodagem? Um pulmão com baixo teor de CO2? tudo modernices a que é preciso pôr fim. Este Governo quer fundar o primeiro estado Testemunha de Jeová.
Viva o fim da gordura do Estado segundo Paulo Macedo. Aposto que o senhor Ávaro não faria melhor.

domingo, junho 19, 2011

Os verdadeiros portugueses chegam ao poder

Parece que houve gente que passou boa parte dos noticiários e entrevistas a dizer que o Governo cessante era péssimo e deu cabo da economia, gente excelente a fazer diagnósticos e a dizer o que era preciso fazer, a tirar do bolso as soluções que eles, os que são magos da economia e que espetavam o dedo nas feridas económicas do Governo anterior e que tinham todas as soluções no bolso das calças prontinho a sair, mas que depois não tiveram a coragem de dar o passo à frente e aceitar ser ministros, executar as suas brilhantes ideias. Mas não, afinal há mais Antónios Barretos, neste país, sabem tudo mas não estão disponíveis para ir para a cara do touro.
Vítor Bento parece ter sido um desses, que os Gatos Fedorentos celebrizaram: Falam, falam mas não dizem nada, e pior, não fazem nada, nadinha, népia, não sabem afinal nada. Destes magos, apenas Nuno Crato foi incapaz de resistir e deu o passo em frente. Vamos ter oportunidade de ver ao menos um dos magníficos televisivos. A ver vamos. Estou expectante para o ver lidar com aquelas direções-gerais, que minam qualquer ideia séria em Portugal sobre educação. Quero vê-lo a lidar com um ex-ministério da Ciência e Ensino Superior que se tinha libertado do jugo daquela massa informe e lamacenta que é a máquina do Ministério da Educação.
Espero que o Ministro das Finanças consiga ser mais do que a correia de transmissão do lugar de onde vem. Portugal merece mais do que um mero comissário político da Comissão Europeia e, bem mais grave, uma extensão da Chanceler Merkel e do tacão alto do Sarkozy.

domingo, junho 05, 2011

Honra e sentido de Estado

O Engenheiro José Sócrates demonstrou no seu discurso sobre os resultados eleitorais, o que nenhum outro membro da até agora oposição foi capaz nas eleições de 2009: um discurso de Estado sem se alhear das responsabilidades, sem ressabiamento, sem insultar, sem rancor. Foi uma verdadeira lição de democracia aos que na eleição presidencial foram baixos de sentimentos, aos que nas eleições de 2009 não foram capazes de aceitar a derrota, aos que nestes 6 anos de governação do PS, tudo fizeram para atingir pessoalmente o primeiro-ministro de Portugal no maior ataque pessoal que alguma vez foi orquestrado em Portugal contra um homem público.
O engenheiro José Sócrates manteve, na hora de se despedir da vida de serviço público, a dignidade e a honradez que muito falta aos homens públicos neste país.


sexta-feira, janeiro 07, 2011

Cavacada

Cavaco é cara de pau. Continuar na corrida a Belém depois que se está a descobrir é contra a toda a ética.
sem mais conversa sobre esta personagem que enquanto foi primeiro-ministro foi quem mais contribuíu para a engorda do Estado. Não admira que tenha previsto tudo, é ele um dos grandes obreiros do Estado que agora quer emagrecer. Assim até eu sou bruxo.