Já era de esperar que depois de Pedro passo de coelho (isto é, saltitando de ideia completamente disparatada para outra completamente irresponsável, ameaçando perigosamente o recorde de Cavaco) o Brasil viesse dizer o que disse: "O Brasil não precisa de professores portugueses". E Angola veio dizer que preferia apostar no "mercado" interno. O jovem primeiro-ministro português cuja experiência laboral é sobejamente conhecida, pelo menos a avaliar pelos CV divulgados na imprensa e na Internet, com o seu voluntarismo e vontade de se livrar dos trabalhadores inscritos no IEFP e assim baixar a taxa de desemprego, apenas mostrou que o seu papel de engajador de emigrantes é, afinal, tão só e apenas um tique neocolonial e a revelação do pensamento do Governo sobre as soluções que tem para criar emprego neste país.
Esta desajeitada e infeliz declaração de Pedro passos de coelho a esconder-se na toca para fingir que este embaraçoso episódio nunca aconteceu, deixa finalmente perceber o sentido das insistentemente repetidas frases: "Não há alternativa à austeridade", "não há opção ao caminho que este governo escolheu". Não há opção nem alternativa porque o Governo que os portugueses escolheram vai para 6 meses não consegue pensar, é incapaz de produzir uma ideia para além daquela que lhes foi apresentada por terceiros, o que significa que se não lhes tivessem dado esta brilhante ideia da austeridade, sufocando pelo garrote os que trabalham, nem esta ideia teriam.
Quando o garante de alguma clareza de pensamento passa a pertencer a Cavaco Silva estamos perante a imagem de um corpo que repentinamente se vira do avesso e são as entranhas que passam a fazer o papel da pele. É tão arrepiante como eu achar que Cavaco é o único político deste país a exercer um cargo público que tem um discurso lúcido. E acho. Estou aterrado.
O mais aterrador no entanto são as tentativas para justificar/desculpar ou coisa parecida, esta "ideia" que um desconhecido secretário de estado de Miguel Relvas, que Pedro Passos Coelho abraçou, tão singelamente. Paulo Rangel veio dizer que não bastava o incentivo de um primeiro-ministro que vem dizer aos seus quadros mais qualificados, jovens que são o garante do futuro económico do país, onde se incluem os professores, e que nos custaram milhões de euros a formar - vão-se embora, que este país não é para jovens -, este país não é para gente formada e inteligente. Agora Paulo Rangel vem em ajuda do primeiro-ministro mais infeliz e adstringente que o pais já conheceu. Vem dizer que não basta ter um ministro engajador de emigrantes, é preciso, organização (provavelmente para que os jovens estouvados não se acotovelem nos aeroportos, como fazem para entrar nos concertos de verão). Diz este Deputado europeu que o Governo deve criar uma agência para apoio à emigração. É uma brilhante ideia, reveladora de uma mente surpreendente pequena, numa altura em que este Governo anda a extinguir e a fundir organismos com "critérios" pensados com a unha do dedo mindinho do pé direito, o surpreendentemente tacanho de ideias Paulo Rangel sugere nem mais nem menos do que uma agência oficial de auxílio à emigração, uma agência de engajadores oficiais. Será que também vão ser responsáveis pela criação de corredores de emigração a salto para se atravessar a fronteira em mais segurança do que se fazia nos anos sessenta?
Este Governo vai de tal forma que só espero, para bem de Portugal, que não lhe aconteça como aos sapos a quem os miúdos, na minha juventude, punham a fumar.
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