quinta-feira, setembro 08, 2011

Mais português e mais matemática

É curioso que toda a gente ache excelente que se aumente o número de horas de aulas de português e de matemática sem que alguém se interrogue sobre a qualidade das horas que se davam até aqui, como se o problema tivesse sido estudado e a conclusão tivesse sido "a metodologia, a pedagogia usada é boa os professores só precisam de mais horas para ter melhores resultados". Ora que se saiba, nem há nenhum estudo nem está provado que, pedagogicamente, se esteja a agir da forma mais adequada para responder às necessidades dos alunos e, pior, que os professores estejam a ser pedagogicamente preparados para responder às exigências do ensino que devem ministrar. Por mim, que tenho da matemática as aprendizagens que consegui apesar do que os meus maus professores me proporcionaram, devo dizer que, se nada mudou desde então, só me admira que os resultados nacionais não sejam piores. Tirando um, que de facto sabia ensinar e motivar para a aprendizagem da matemática, devo dizer que, ao longo da minha passagem pelo ensino básico e secundário, só tive maus professores que até podiam ser cientificamente bons mas que não sabiam ensinar. Eram pedagogicamente incompetentes e, no meu caso, tive de aprender apesar dos "professores" de matemática que tive, nunca chumbei, mas nada devo àqueles professores. Quanto aos de Português basta lembrar um recente artigo do Professor Doutor Carlos Reis, no Público para termos sérias dúvidas.
Podem aumentar as aulas para 20 horas por semana, se não melhorarem a qualidade do ensino não haverá melhores resultados. Um ensino mau 2 horas por semana não fica melhor se for aumentado para 4. São apenas mais duas horas de mau ensino. Sobre a qualidade dos alunos, enfim, é preciso não esquecer que vivemos num país onde os país são grandes responsáveis pela não dignificação da Escola e pela não valorização da Educação. Sobre o ministro parece que as suas ideias de fazer implodir o ministério se estão a transformar no fast food do monstro.

2 comentários:

PM disse...

Resta saber se o douto Carlos Reis é parte da solução ou do problema. É que ele tem sido uma influência constante no ensino da língua e da literatura em Portugal. E, acredite, há ali pouca vontade de repensar o caminho. O ego é demasiado dilatado. É ingénuo pensar que a solução está na formação dos ignorantes dos professores para aplicação das pedagogias "certas" ou "erradas", orientados por gurus como Carlos Reis.

Anónimo disse...

Caro PM, mais ingénuo ainda é acreditar que um mau ensino melhora apenas por se aumentar o número de horas que se lhe dedica. Carlos Reis até pode nem ser um modelo de virtudes mas não é incompetente, não é detentor de todo o saber sobre o assunto mas é melhor do que a total ausência de conhecimento do assunto que o Ministro demonstrou ao optar pela solução populista e primária que tomou. O problema do Ministro Crato é que agiu sem pensar. O que é mau para alguém que se fartava de falar antes de ser ministro levando-nos a crer que tinha as soluções todas pensadinhas. Afinal parece que era tudo conversa de café.