sexta-feira, novembro 30, 2012

O impressionante

Abebe Selassie é que percebeu bem Vítor Gaspar. Ao dizer que Gaspar "é um ministro muito impressionante", não podia ser mais claro. A sua declaração é de uma ironia tão violenta quanto verdadeira. É impressionante como um ministro pode ser tão danoso e tão indiferente à realidade. É impressionante como um órgão maligno a agir em corpo débil.
Mas estão bem um para o outro, já que Abebe Selassie parece mais a maldição de Preste João.
Cristóvão da Gama, filho de Vasco da Gama, foi à Etiópia (1541) com 400 homens corresponder a um pedido de auxílio do Imperador Cláudio que, invadido pelos muçulmanos desde a Eritreia, estava em sérias dificuldades. Foi com os 100 portugueses que restaram do exército de Cristóvão da Gama (que entretanto depois de ganhar algumas batalhas foi derrotado, por um grande exército muçulmano com forte apoio turco. Foi depois feito prisioneiro e mais tarde decapitado) que o Imperador abexim conseguiu uma vitória decisiva sobre o invasor.
Hoje é o abexim Abebe que nos vigia as contas por conta do invasor troicano. Fez bem o Rei de Portugal ao ter respondido ao pedido do imperador etíope? Fez bem ao ter contribuído para salvar o soberano etíope e a sua nação? É esta a paga? vir agora o enviado de Preste João ao FMI atirar-nos com ironia aguçada e lacerante e anunciar-nos quão impressionante de cega incompetência é o nosso ministro da finanças?
Não deixa de ser curioso que o nome amárico Selassie signifique trindade (por ínvias partes, troica). Que religião é esta que nos castiga assim!  
 

terça-feira, outubro 02, 2012

Relvisses

A PGR declarou que não encontrou nada de ilícito no processo de atribuição da licenciatura a Miguel Relvas, pela Universidade Lusófona. Outra coisa não se esperaria. Nunca me pareceu que houvesse ilícito. Acho até que a Lei deve ter sido seguida com o maior escrúpulo e respeito. Já quanto às questões éticas e morais do processo que levou à atribuição da licenciatura mais rápida da história da academia portuguesa, a começar pelo valor intrínseco do parecer que foi publicado pelo jornal "Público", todas as dúvidas parecem ter razão de existir. De facto, o parecer parece ser tudo menos cientificamente credível. A Licenciatura de Relvas pode ser legal, aliás, é legal, como decorre da declaração da PGR. É ética e moralmente inadmissível, também é.
O Ministério da Educação e Ciência, tutelado pelo colega de Relvas, Nuno Crato, apressou-se, e bem, a resolver a injustiça ética e moral - mas legal -, que constitui, segundo os altos padrões daquele ministério, o acesso ao ensino superior através do uso do expediente do recurso ao chamado ensino recorrente. Tal forma de acesso resulta, de acordo com aquele ministério, numa injustiça porque os que utilizam esta via não fazem as mesmas provas que os alunos do currículo normal e beneficiam de uma forma de ensino que o ministério acha (senão não usava o termo injustiça e a questão não se colocava) menos exigente (se é menos exigente a culpa é de quem estabelece as regras e não dos que dele beneficiam).
Mas perante o mesmo aproveitamento das regras em vigor, por parte de um seu colega de gabinete, o Ministro Crato assobia para o lado e sacode o capote da autonomia universitária. Em vez de agir e reparar a injustiça ética e moralmente reprovável, que é a obtenção de um grau académico por via de um expediente criado pelo laxismo de um regulamento e tornado possível por avaliadores que escrevem pareceres patéticos e risíveis que colocam em causa a credibilidade de uma universidade privada. O ministério, em vez de repor a credibilidade do sistema, retirando o grau académico obtido por Relvas, penalizando-o por se ter servido de um expediente equivalente ao utilizado pelos alunos do ensino recorrente, isto é, explorando os defeitos da Lei, não! Prefere mostrar que afinal a ausência de ética e moral só é sensorável para uns enquanto para outros o standard, afinal, é outro bem menos exigente. Provavelmente com um grau de exigência semelhante ao do ensino recorrente. Erro crasso do Ministro Crato. 

sexta-feira, abril 06, 2012

Do significado de "lapso"

O governo pré-lapso era mentiroso. O Governo que os portugueses escolheram para nos subsumir "temporariamente" os subsídios de férias e natal, após aturados esforços e conselhos da "esquerda portuguesa", pode ter um ministro da educação que foi uma vergonha na reunião dos ministros da educação da CPLP e criou a maior trapalhada diplomática sobre o acordo ortográfico, depois do brilhante secretário de estado da cultura sem secretaria de estado ter  embaraçado o Estado português, ao nomear o ridículo Vasco Graça Moura para o bunker da idiotia de resistência ao Acordo Ortográfico, o CCB, mas isto não é nada.
O acordo ortográfico retira umas letrinhas à forma como se escrevem 0,5% do léxico português, mas o Governo resolveu entrar noutra frente da língua portuguesa: o significado das palavras! Até esta semana lapso significa de acordo com o dicionário da Priberam:
lapso
(latim lapsus, -a, -um, particípio passado de labor, labi, deslizar, escorregar, resvalar, cair)   
   s. m.
1. .Ato de escorregar; escorregadela.
    2. Queda momentânea da memória. = ESQUECIMENTO
3. Descuido proveniente de esquecimento.
4. Engano involuntário.
5. Decurso de tempo. = PERÍODO
adj.
6. [Pouco usado] [Pouco usado] Caído em culpa; incurso em erro ou pecado. = CULPADO

Mas o Governo entende que isto é muito complicado, muito fruto do eduquês. Nesta conformidade o Ministério das Finanças que assumiu poderes sobre o QREN, entendeu que é seu dever assumir o papel da Academia das Ciências de Lisboa e passou a dirigir a composição do novo Dicionário da Língua Portuguesa. Uma medida estrutural que não estava incluída no 1.º memorando da tróica mas que está em linha com a determinação do Governo Coelho em ir mais além.
Assim o Ministério das Finanças não perdeu tempo e decidiu começar pela letra L.´A partir desta semana a palavra lapso passa a significar como substantivo masculino (s.m.):
(latim: eliminado)
s.m.
único: mentira descarada e sem vergonha.
Adj.
significado sem alteração: Caído em culpa; incurso em erro (grosseiro) ou pecado. = CULPADO.

sábado, fevereiro 25, 2012

O Presidente Espantado

Cavaco diz que ficou espantado com os números do desemprego. Mas afinal onde é que ele vive? Em que realidade cor de rosa é que ele vive? Um homem que passa a vida a repetir até à exaustão "eu avisei" fica espantado por um desemprego que até uma alface conseguia ver? e que aliás até o seu próprio partido sabia que ia acontecer e vai continuar a acontecer. A Grécia está ao virar da esquina porque esta política que nos estão a impor não é diferente da que foi imposta à Grécia. Espanta-se de quê? Como é que um homem que tem obrigação de acompanhar a cada momento a vida do país pode dizer uma coisa destas? Pior, como é que um economista pode afirmar tal espanto. Cavaco dá-me razão sempre que abre a boca. O silêncio é um bem escasso, e percebemos todos porquê.

sábado, janeiro 07, 2012

Desemprego e dasapego governamental

Mais uma vez António José Seguro, ficou aquém. Faltou-lhe, como sempre, o golpe de asa, um pouco mais de azul, foi o cadáver adiado. Não basta dizer que Pedro Passos Coelho e sua corte a compasso (é a única novidade deste PPD, o de estar minado pela "música" de mozart "opus" 49), não se refere e não se dirige aos desempregados. É preciso ir mais além e dizer que o faz porque ao ignorar os desempregados está a afirmar a sua incompetência em matéria de emprego, não tem soluções para o crescimento económico, está refém de outros mozarts tão caninos como os que agora foram apanhados de rabo de fora, mas bem mais ferozes, quer lhe chamem tróica, triunvirato, trio, ou o bando dos três.
Este Governo continua a provar que não tem ideias próprias, só tem as ideias que os outros lhes impõem. Como são apenas recetadores de ideias alheias não as sabem compreender, são como os que lêm a bíblia e a interpretam literalmente como os criacionistas americanos, a ignorância também se alimenta da superficialidade dos apressados, dos que acham que as soluções não precisam de tempo para ser assimiladas, compreendidas e interpretadas.
Para Pedro Passos Coelho a vida é simples, os outros dizem, ele faz. Como ainda ninguém lhe disse (impôs) como se cria emprego como forma de sair da crise e a história não dá lições, nem serve como forma de aprendizagem, ele e os seus Álvaros e contabilistas à moda do Tio Patinhas como o primo Louçã das finanças, para quem no cortar é que está o ganho, ele, Pedro Passos Coelho vê nos desempregados um impecilho, algo que é uma sobra do sistema. Para Pedro Passos Coelho, os desempregados cheiram mal da boca, vestem mal e sujam as ruas com a sua ociosidade. A culpa é deles que preferem "sacar" dinheiro ao (seu) Estado e desequilibram as contas. Se pudesse, Pedro Passos Coelho escondia-os a todos (emigração, será caso?), como uma família preconceituosa, esconde o seu filho deficiente, que lhes estraga a estirpe. 

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Os nómadas do capital

É por estas façanhas que eu nunca comprei nada no Pingo Doce. Primeiro foram os depedimentos de empregados com HIV (já se esqueceram? Eu não.), agora comportam-se como verdadeiros beduínos do capital. São nómadas sem pátria. Levam o dinheiro para onde lhe convém sem olhar às necessidades do País.
Este "trabalhador", como se intitula o dono da Jerónimo Martins, tomou à letra o incentivo do primeiro-ministro e do Relvas, saíu da "zona de conforto" e "emigrou" o capital para onde os impostos são mais baixos, aliviando Portugal do encaixe em impostos desta multinacional da doce joaninha. Isto também revela a falta de solidariedade europeia no que respeita à harmonização fiscal.
O Reino da Companhia da Indias Ocidentais está-se maribando para a situação orçamental dos seus parceiros da União Europeia. Mais uma vez estão a tramar Portugal estes países do Norte que tanto se fartam de "trabalhar" com o dinheiro dos outros.
Os ratos do capital provam mais uma vez a sua natureza anti-Estados e antisocial. Só o capital conta e vai fazer companhia à Sonae do Belmiro do Continente que já está nos países reles, perdão, Países Baixos há muitos anos.