domingo, dezembro 14, 2008

Triste Manuel

Afinal enganei-me. Estive a ouvir o discurso de Manuel Alegre na SIC Notícias, em directo, como se de uma coisa importante se tratasse e Manuel Alegre, tristemente, mostrou algo que eu pensava que ele nunca faria. Mas fez. Seguiu o caminho populista, rasteiro, da rua e dos que querem que nada mude na educação e entre os professores.
Manuel Alegre colocou-se ao lado da mediocridade e dos que não querem ser avaliados mas ganham muito mais do que a esmagadora maioria dos portugueses que todos os dias são avaliados e que ganham sete a oito vezes menos do que os professores instalados no 9.º escalão ou mais, e que, ao contrário dos professores anti-avaliação que pertencem ao quadro das escolas onde estão quentinhos e ao abrigo do desemprego, convivem com contratos precários, a recibos verdes e são avaliados pelo pior dos avaliadores: um patrão que os explora e os pode pôr na rua logo que a avaliação diária deixar de agradar.
Manuel Alegre defendeu um igualitarismo medíocre, escudado em dirigentes sindicais que apenas defendem os incompetentes. Se isso é ser de esquerda, não é a esquerda dos trabalhadores é a esquerda dos preguiçosos.

A Língua Portuguesa em Espanha

É de uma tristeza absolutamente confrangedora que se lê a notícia no sítio da RTP, em que se pode perceber que a Directora do Instituto Cervantes vem polidamente fazer notar a ausência do Instituto Camões em Madrid.
Esta mancha obscura da política cultural externa portuguesa causa incalculáveis prejuízos à promoção da Língua Portuguesa em Espanha e na Europa. É absolutamente inconcebível que o Instituto Camões ainda não tenha uma representação em Madrid e se esconda num canto da Península (Vigo) quando o seu dever político era estar na capital do Reino de Espanha. Já nem seria pensável que por uma questão de reciprocidade o Instituto Camões deveria estar na capital espanhola tal com o Instituto Cervantes está em Lisboa. Impensável a qualquer nível e inconcebível sob qualquer ângulo de análise estratégico de política de promoção externa da língua portuguesa, a ausência do Instituto Camões revela sobretudo outra realidade sobre a Política Externa Portuguesa de Promoção da Língua e Cultura Portuguesas: a comparação entre a seriedade da mesma política por parte de Espanha e a demissão de sucessivos Governos de Portugal em assumir o mesmo nível de seriedade política, passando dos discursos à prática. Em Portugal quanto mais inflamado é o discurso sobre a Língua Portuguesa menor é acção política no terreno. O que impede a presença do Instituto Camões em Madrid é a perfeita consciência que os Governos têm tido e têm de que em Espanha a Língua é assunto sério, em Portugal é um exercício de retórica. E nada desta realidade tem que ver com dinheiros públicos porque o orçamento do Instituto Camões é risível face a qualquer verba que hoje se destina a qualquer acção séria do Governo.
Numa altura em que o Governo (re)publica uma Resolução do Conselho de Ministros sobre a Língua Portuguesa em que parece ignorar o que se está a fazer na nova Lei Orgânica do Instituto Camões que parece estar prestes a sair e vice-versa. É absolutamente embaraçante verificar que é de Espanha que vem o apelo, quando a iniciativa deveria derivar de uma estratégia global, que se insiste em não se estabelecer, a não ser que se pense que uma resolução de um Conselho de Ministros, só por si, encerra no seu dizer a acção sobre uma Política de Língua para o Português no estrangeiro.

sábado, dezembro 13, 2008

Manuel Alegre, do contra? não. Qual quê!

Manuel Alegre só deveria voltar a ser notícia se dissesse, não alguma coisa de jeito, não é isso, que não se pretende banir o homem da imprensa, tão só quando dissesse alguma coisa que não fosse um ataque descabelado ao PS. Algo que não destilasse fel sobre o partido que o acolheu quando ele abandonou o PCP e, de acordo com o leque político tradicional, virou à direita, onde ainda hoje se senta. Manuel Alegre só é notícia porque os jornais acham que dizer mal do Partido do Governo e mostrar o PS supostamente dividido é bom para vender jornais. Mais ou menos como os jornais desportivos não largam o Benfica porque é o único clube que faz vender jornais de modo significativo.
Já o amigalhaço Louçã é uma alegria. Tem piada. Diz umas larachas com pinta. Esta de dizer que não tem “intenções escondidas” é muito gira. Se se fala na coisa é de desconfiar, de outro modo não era necessário trazer as intenções à conversa. Em política, diz-se, o que parece é. Logo isto parece um tapar de sol com a peneira.
Mas estão bem um para o outro, ambos fogem das responsabilidades e de cargos que envolvam responsabilidades e decisões sobre a vida dos cidadãos como o mafarrico foge já se sabe de quê, que é para aparecerem sempre impolutos e imaculados. Uns fixarolas.

Alegremente a dizer mal, porque sim.

Manuel Alegre só deveria passar a ser notícia se deixasse de dizer mal do PS, porque sim. Sei lá. se lhe desse para ser a favor. Aí sim dava para desconfiar. Agora Manuel Alegre a destilar fel ser notícia, acho duvidoso.
O amiguinho Louçã é que é giro. É engraçado. Tem a sua piada. O trotskista reconvertido ao parlamentarismo burguês, o imaculado Louçã, a virgem pura da esquerda portuguesa e arredores de Silves, parece usar o idoso Manuel Alegre, provável fundador da esquerda ascáride que se contenta e se compraz em ser uma espécie de nematelminte no sistema interno do PS, como quem usa um indivíduo ressabiado que acha que não é venerado como merece.
Manuel Alegre ainda vai acabar como n.º 1 por Coimbra, como "independente", nas próximas listas do Bloco para as legislativas, por troca com Sá Fernandes que usou o Bloco para poder mostrar o que podia fazer e assim aproximar-se do PS pela porta da frente, sem ter de militar e vegetar pela secções do Partido, e que vai certamente aparecer nas lista do PS para as autárquicas lisboetas.
No entanto, há que reconhecer, ao ficar calado no debate sobre a educação e sobretudo sobre a avaliação dos professores do secundário, Manuel Alegre mostrou que afinal continua a ser um homem inteligente, contra algumas evidências que o dão como tendo perdido algumas qualidades como a argúcia política. Ao fazê-lo, o ex-candidato às eleições presidenciais para impedir a reeleição de Mário Soares, provou indirectamente que o seu combate contra o PS é um combate pessoal e íntimo, que nada tem que ver com política mas simplesmente com maus fígados.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Simonetta sai, Simonetta regressa

... Só não sei é se volta por estar perdoada, se volta por não terem perdão os responsáveis pela tutela. Esta é a solução mais infeliz que o Instituto Camões sofreu desde que foi criado e só pode ser entendido, no mínimo, como o completo falhanço do Estado Português em honrar as suas próprias expectativas, ainda por cima com uma desculpa/justificação absolutamente risível. Este é um regresso após mais de um mês de incapacidade da tutela em nomear um novo presidente.
Será que ninguém quer ser presidente do IC? Será que os convites não foram aceites? Será antes uma luta intestina entre um Ministro da Cultura que não sendo tutela gostava de ser, e um MNE, que fazendo jus à sua incapacidade para perceber o papel e a importância da Língua Portuguesa no Mundo, prefere perder o seu tempo em reconhecimentos irrelevantes de Estados em vez de cuidar de reconhecer que a Língua Portuguesa é de interesse estratégico para 8 estados.
Afinal, para que é que se formou um grupo de trabalho para a Internacionalização da Língua Portuguesa se depois uma instituição como o Instituto Camões, pode andar mais de um mês a ser gerida interinamente por um vice-presidente, para depois voltar a presidente pródiga, que saiu a pensar que estava a fazer uma jogada de antecipação, para depois perceber que afinal tinha sido mal avisada pelos "mentideros" da praxe.
É claro que Simonetta não tem culpa. Quem nomeado ou renomeado, não tem culpa, a culpa é sempre de quem nomeia e renomeia. Simonetta não teve culpa de entrar, nem tem agora culpa de ser arrancada ao seu descanso de avó, aos seus trabalhos de ocupação de tempos livres na recuperação de uma igreja lá para os lados de Sintra e à sua reforma dourada. Simonetta vai agora fazer o "supremo sacrifício" de trabalhar "de borla" para o Estado em nome da sua dedicação à causa da cultura e da língua. Simonetta volta porque o vazio já era insuportável. Simonetta volta porque entre os ministérios da educação, dos negócios estrangeiros e da cultura se aplica o ditado, em casa onde não há pão (nem saber, nem visão, nem estratégia) todos ralham (ou conspiram, ou querem mandar no que não sabem, ou querem colocar na presidência mais um iluminado por spots de bastidor todo sabedor de cultura e de língua) e ninguém tem razão.
Camões, entretanto, já se recusará a responder pelo nome enquanto dá voltas na tumba, tolhido pela vergonha dos que na "apagada e vil" penumbra dos ministérios, se entretêm na "vã glória de mandar".

segunda-feira, julho 14, 2008

Internacionalização da Língua Portuguesa

Ao contrário de Vasco Graça Moura que fala à boa maneira dos fundamentalistas e usando estratégias que insultam quem as pratica pela forma como usa argumentos que nada têm que ver com o assunto em causa - como fez tão abertamente com a questão do Acordo ortográfico - mas que demagogicamente fazem a ignara gente aderir pelo medo apocalíptico e pela ignorância mais triste, que é a dos que bebem fel se, no seu delírio profético, lhes disserem que é mel. Eu apenas direi o que o estudo me permite verificar apenas pela sua simples existência ainda sem falar do conteúdo: que se for desta, rompe-se com uma tradição de muita parra e pouca uva de dezenas de anos que a democracia de Abril, em vez de eliminar, alimentou. Anseio por isso por saber o que é que o Governo foi capaz de beber do documento, que não sendo do domínio público, não poderia nunca servir de base à cruzada insensata de Vasco Graça Moura (a não ser que alguém do MNE ou do ME lho tivesse feito chegar por mão "amiga".
A Internacionalização da Língua Portuguesa tem vários inimigos internos, quer de muitos pregadores que não acreditam na palavra que pregam (homens de pouca fé e ainda menos visão), os medrosos do Brasil, pelo profundo medo que têm da mudança e do futuro e que em vez de caminharem para o segundo paralisam com o primeiro, e depois, há os que por força de dizerem que está tudo bem e muito bem, se esquecem de que ao dizerem tal apenas mostram que tudo precisa de mudar para bem melhor, porque no ponto em que estamos ficar melhor é mesmo o mais fácil, mudar com cabeça isso já é outro assunto.
Se este Governo for capaz de dizer e convencer oposição e instituições políticas de que uma Política de Língua só é digna desse nome e só pode ser eficaz se pensar largo e pensar longe, que o tempo de navegar à vista tem de passar ao tempo de usar sextante se não mesmo a recorrer à navegação por satélite, então estamos perante mais uma oportunidade perdida. Fala-se de um fundo para a Língua Portuguesa, esperemos que a vontade corresponda ao conteúdo, porque uma política de língua precisa de investimento e não do desperdício que o pouquíssimo que hoje se lhe dedica representa . Fala-se de refundação do Instituto Camões esperemos que esta vontade corresponda a uma reconfiguração tutelar que lhe traga poder e não retalho como o que a entrevista do Ministro da Cultura ao Expresso, de dia 12 de Julho, pode deixar interpretar. Sobretudo que desta vez não haja equívocos e manchas por definir, porque se tal acontecer estou certo de que as mesmas areias ministeriais que têm impedido que qualquer coisa avance, não deixarão de continuar activas. E por fim, impeçam que o cavaleiro do apocalipse Vasco Graça Moura tenha razão, porque se ele tiver razão, a Língua Portuguesa continuará uma batalha perdida.

domingo, julho 13, 2008

Portugal e a UMP

PORTUGAL não é um país mediterrânico, nós portugueses não somos mediterrânicos. Se isto for bem entendido, acho que PORTUGAL, país ATLÂNTICO, vizinho de países mediterrânicos, com relações históricas, culturais e económicas com esses países que são mediterrânicos, deve manter-se atento, cooperar económica e politicamente com esses países e reclamar um estatuto de OBSERVADOR nesta organização. Não me parece bem que, não sendo nós mediterrânicos, sejamos membros de pleno direito desta organização.
Isto de se querer estar em casa alheia para alimentar equívocos e estereótipos não me parece que seja boa política. Não que seja mau ser-se mediterrânico, nada contra, mas o mediterrâneo acaba em Gibraltar donde me parece mais adequado que a potência colonial que governa este rochedo faça parte da UMP, Portugal não. Até porque era mais uma cota para pagar, o que significa que é mais uma vergonha para um país que sistematicamente se atrasa a pagar as suas contribuições.

sexta-feira, julho 11, 2008

Que viva o rei!

Que viva o novo seleccionador. Pouco importa que enquanto treinador principal apenas tenha coleccionado saídas pela esquerda baixa. Mas hoje o mundo renasce para o novo seleccionador. Boa sorte.
Pouco importa saber se um bom segundo poderá necessariamente ser um bom primeiro. Não será relevante saber se quem saiu de seleccionador da África do Sul e regressou ao aconchego da sombra de Sir Alex Ferguson depois de não conseguir gerir a pressão de um gigante chamado Real Madrid, terá já crescido psicologicamente, amadurecido nas suas capacidades de liderança e gestão de grupos tão especiais como o são as estrelas de futebol e evoluído técnica e tacticamente por forma a não superar as fases finais dos processos desportivos em que se envolve (a passagem pelo Man. U. não conta porque essa tarefa era do manager escocês). Para o bem do Futebol Português será bom que este Carlos Queiroz, que hoje regressa a casa, seja um outro Carlos Queiroz... para melhor.