quinta-feira, outubro 16, 2008

Simonetta sai, Simonetta regressa

... Só não sei é se volta por estar perdoada, se volta por não terem perdão os responsáveis pela tutela. Esta é a solução mais infeliz que o Instituto Camões sofreu desde que foi criado e só pode ser entendido, no mínimo, como o completo falhanço do Estado Português em honrar as suas próprias expectativas, ainda por cima com uma desculpa/justificação absolutamente risível. Este é um regresso após mais de um mês de incapacidade da tutela em nomear um novo presidente.
Será que ninguém quer ser presidente do IC? Será que os convites não foram aceites? Será antes uma luta intestina entre um Ministro da Cultura que não sendo tutela gostava de ser, e um MNE, que fazendo jus à sua incapacidade para perceber o papel e a importância da Língua Portuguesa no Mundo, prefere perder o seu tempo em reconhecimentos irrelevantes de Estados em vez de cuidar de reconhecer que a Língua Portuguesa é de interesse estratégico para 8 estados.
Afinal, para que é que se formou um grupo de trabalho para a Internacionalização da Língua Portuguesa se depois uma instituição como o Instituto Camões, pode andar mais de um mês a ser gerida interinamente por um vice-presidente, para depois voltar a presidente pródiga, que saiu a pensar que estava a fazer uma jogada de antecipação, para depois perceber que afinal tinha sido mal avisada pelos "mentideros" da praxe.
É claro que Simonetta não tem culpa. Quem nomeado ou renomeado, não tem culpa, a culpa é sempre de quem nomeia e renomeia. Simonetta não teve culpa de entrar, nem tem agora culpa de ser arrancada ao seu descanso de avó, aos seus trabalhos de ocupação de tempos livres na recuperação de uma igreja lá para os lados de Sintra e à sua reforma dourada. Simonetta vai agora fazer o "supremo sacrifício" de trabalhar "de borla" para o Estado em nome da sua dedicação à causa da cultura e da língua. Simonetta volta porque o vazio já era insuportável. Simonetta volta porque entre os ministérios da educação, dos negócios estrangeiros e da cultura se aplica o ditado, em casa onde não há pão (nem saber, nem visão, nem estratégia) todos ralham (ou conspiram, ou querem mandar no que não sabem, ou querem colocar na presidência mais um iluminado por spots de bastidor todo sabedor de cultura e de língua) e ninguém tem razão.
Camões, entretanto, já se recusará a responder pelo nome enquanto dá voltas na tumba, tolhido pela vergonha dos que na "apagada e vil" penumbra dos ministérios, se entretêm na "vã glória de mandar".

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