segunda-feira, julho 14, 2008

Internacionalização da Língua Portuguesa

Ao contrário de Vasco Graça Moura que fala à boa maneira dos fundamentalistas e usando estratégias que insultam quem as pratica pela forma como usa argumentos que nada têm que ver com o assunto em causa - como fez tão abertamente com a questão do Acordo ortográfico - mas que demagogicamente fazem a ignara gente aderir pelo medo apocalíptico e pela ignorância mais triste, que é a dos que bebem fel se, no seu delírio profético, lhes disserem que é mel. Eu apenas direi o que o estudo me permite verificar apenas pela sua simples existência ainda sem falar do conteúdo: que se for desta, rompe-se com uma tradição de muita parra e pouca uva de dezenas de anos que a democracia de Abril, em vez de eliminar, alimentou. Anseio por isso por saber o que é que o Governo foi capaz de beber do documento, que não sendo do domínio público, não poderia nunca servir de base à cruzada insensata de Vasco Graça Moura (a não ser que alguém do MNE ou do ME lho tivesse feito chegar por mão "amiga".
A Internacionalização da Língua Portuguesa tem vários inimigos internos, quer de muitos pregadores que não acreditam na palavra que pregam (homens de pouca fé e ainda menos visão), os medrosos do Brasil, pelo profundo medo que têm da mudança e do futuro e que em vez de caminharem para o segundo paralisam com o primeiro, e depois, há os que por força de dizerem que está tudo bem e muito bem, se esquecem de que ao dizerem tal apenas mostram que tudo precisa de mudar para bem melhor, porque no ponto em que estamos ficar melhor é mesmo o mais fácil, mudar com cabeça isso já é outro assunto.
Se este Governo for capaz de dizer e convencer oposição e instituições políticas de que uma Política de Língua só é digna desse nome e só pode ser eficaz se pensar largo e pensar longe, que o tempo de navegar à vista tem de passar ao tempo de usar sextante se não mesmo a recorrer à navegação por satélite, então estamos perante mais uma oportunidade perdida. Fala-se de um fundo para a Língua Portuguesa, esperemos que a vontade corresponda ao conteúdo, porque uma política de língua precisa de investimento e não do desperdício que o pouquíssimo que hoje se lhe dedica representa . Fala-se de refundação do Instituto Camões esperemos que esta vontade corresponda a uma reconfiguração tutelar que lhe traga poder e não retalho como o que a entrevista do Ministro da Cultura ao Expresso, de dia 12 de Julho, pode deixar interpretar. Sobretudo que desta vez não haja equívocos e manchas por definir, porque se tal acontecer estou certo de que as mesmas areias ministeriais que têm impedido que qualquer coisa avance, não deixarão de continuar activas. E por fim, impeçam que o cavaleiro do apocalipse Vasco Graça Moura tenha razão, porque se ele tiver razão, a Língua Portuguesa continuará uma batalha perdida.

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