É de uma tristeza absolutamente confrangedora que se lê a notícia no sítio da RTP, em que se pode perceber que a Directora do Instituto Cervantes vem polidamente fazer notar a ausência do Instituto Camões em Madrid.
Esta mancha obscura da política cultural externa portuguesa causa incalculáveis prejuízos à promoção da Língua Portuguesa em Espanha e na Europa. É absolutamente inconcebível que o Instituto Camões ainda não tenha uma representação em Madrid e se esconda num canto da Península (Vigo) quando o seu dever político era estar na capital do Reino de Espanha. Já nem seria pensável que por uma questão de reciprocidade o Instituto Camões deveria estar na capital espanhola tal com o Instituto Cervantes está em Lisboa. Impensável a qualquer nível e inconcebível sob qualquer ângulo de análise estratégico de política de promoção externa da língua portuguesa, a ausência do Instituto Camões revela sobretudo outra realidade sobre a Política Externa Portuguesa de Promoção da Língua e Cultura Portuguesas: a comparação entre a seriedade da mesma política por parte de Espanha e a demissão de sucessivos Governos de Portugal em assumir o mesmo nível de seriedade política, passando dos discursos à prática. Em Portugal quanto mais inflamado é o discurso sobre a Língua Portuguesa menor é acção política no terreno. O que impede a presença do Instituto Camões em Madrid é a perfeita consciência que os Governos têm tido e têm de que em Espanha a Língua é assunto sério, em Portugal é um exercício de retórica. E nada desta realidade tem que ver com dinheiros públicos porque o orçamento do Instituto Camões é risível face a qualquer verba que hoje se destina a qualquer acção séria do Governo.
Numa altura em que o Governo (re)publica uma Resolução do Conselho de Ministros sobre a Língua Portuguesa em que parece ignorar o que se está a fazer na nova Lei Orgânica do Instituto Camões que parece estar prestes a sair e vice-versa. É absolutamente embaraçante verificar que é de Espanha que vem o apelo, quando a iniciativa deveria derivar de uma estratégia global, que se insiste em não se estabelecer, a não ser que se pense que uma resolução de um Conselho de Ministros, só por si, encerra no seu dizer a acção sobre uma Política de Língua para o Português no estrangeiro.
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