Apesar de a tentação ser por vezes maior que o discernimento, a demissão de um responsável de uma qualquer área, deve ser entendida e comentada no preciso contexto em que é feita e não em função de um qualquer factor mais ou menos fundado em juízos de superfície por muito que eles nos digam. Quer isto dizer, que a demissão de Maria José Stock não pode ser comentada por um responsável político da oposição nos moldes emocionais em que o foi.
Este é precisamente o momento em que o que tem de ser salientado é a razão invocada para a saída por alguém consabidamente próxima de Durão Barroso. Ora MJS invoca precisamente motivos que se prendem com o facto de ser «uma pessoa de projecto quando ele é exequível, empenho-me com entusiasmo e espírito de missão; nesta altura não tenho condições para continuar», e porque «a dinâmica do instituto foi interrompida» Expresso online. Tanto uma como outra razões, nem vamos aqui considerar o facto de "sair por divergências com Manuela Franco, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação" (DN), pois, naturalmente, decorrerão das duas acima referidas. Por isso, e mesmo que a sua acção possa demonstrar o contrário, o que deve aqui ser relevado é que este governo nem aos seus próprios correlegionários e amigos chegados, consegue fazer cumprir supostas promessas de "projecto" e "dinâmica". Que este governo, numa área em que a sua cegueira contabilística o impede de ver a importância estratégica e nacional, estrangulou de tal forma o Instituto, que até uma incondicional de Durão Barroso se vê obrigada a bater em retirada, arrastando consigo os vice presidentes.
Podemos sempre questionar-nos sobre o projecto a que se estará a referir MJS, dado que não nos foi possível descortinar qualquer semelhança entre os sucessivos erros nas decisões tomadas e declarações públicas desastrosas, com o que se possa vagamente aproximar do que seja um projecto. Podemos naturalmente questionar de que dinâmica estará a falar MJS, dado que, nada nestes dois anos decorridos sobre a sua presidência no IC, se parece com um leve laivo de dinamismo. Mas o que importa neste momento não é falar de um aspecto circunscrito à questão particular do desmoronar do que havia sido construído em Jacarta no período em que Ana Gomes foi uma excepcional embaixadora na Indonésia. O que importa neste momento mostrar ao país é o completo desmoronar do que havia sido estrategicamente construído para a Ásia, o ruir da estratégia concebida para África, a falta de uma ideia que seja para revitalizar os leitorados na Europa e na América. Talvez seja esta uma excelente oportunidade para questionar o Governo sobre a sua total ausência de política para a língua portuguesa no seio das instituições europeias, numa UE a 25.
O que mais interessava questionar nesta altura não era o facto de MJS se demitir agora depois de nada ter feito durante 2 anos, mas o facto de este Governo de direita não ter uma ideia que seja sobre o português no mundo, sobre a posição geoestratégica da Língua Portuguesa numa sociedade globalizada e de ter asfixiado o Instituto Camões com um desprezo, como nenhum outro governo ousou fazer.
Ao não fazer isto, o PS ficou-se pelo fait-divers e deixou passar o fundamental. Atacou pela paixão e negligenciou a razão e a essência da paralisia do Instituto Camões.
Este é precisamente o momento em que o que tem de ser salientado é a razão invocada para a saída por alguém consabidamente próxima de Durão Barroso. Ora MJS invoca precisamente motivos que se prendem com o facto de ser «uma pessoa de projecto quando ele é exequível, empenho-me com entusiasmo e espírito de missão; nesta altura não tenho condições para continuar», e porque «a dinâmica do instituto foi interrompida» Expresso online. Tanto uma como outra razões, nem vamos aqui considerar o facto de "sair por divergências com Manuela Franco, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação" (DN), pois, naturalmente, decorrerão das duas acima referidas. Por isso, e mesmo que a sua acção possa demonstrar o contrário, o que deve aqui ser relevado é que este governo nem aos seus próprios correlegionários e amigos chegados, consegue fazer cumprir supostas promessas de "projecto" e "dinâmica". Que este governo, numa área em que a sua cegueira contabilística o impede de ver a importância estratégica e nacional, estrangulou de tal forma o Instituto, que até uma incondicional de Durão Barroso se vê obrigada a bater em retirada, arrastando consigo os vice presidentes.
Podemos sempre questionar-nos sobre o projecto a que se estará a referir MJS, dado que não nos foi possível descortinar qualquer semelhança entre os sucessivos erros nas decisões tomadas e declarações públicas desastrosas, com o que se possa vagamente aproximar do que seja um projecto. Podemos naturalmente questionar de que dinâmica estará a falar MJS, dado que, nada nestes dois anos decorridos sobre a sua presidência no IC, se parece com um leve laivo de dinamismo. Mas o que importa neste momento não é falar de um aspecto circunscrito à questão particular do desmoronar do que havia sido construído em Jacarta no período em que Ana Gomes foi uma excepcional embaixadora na Indonésia. O que importa neste momento mostrar ao país é o completo desmoronar do que havia sido estrategicamente construído para a Ásia, o ruir da estratégia concebida para África, a falta de uma ideia que seja para revitalizar os leitorados na Europa e na América. Talvez seja esta uma excelente oportunidade para questionar o Governo sobre a sua total ausência de política para a língua portuguesa no seio das instituições europeias, numa UE a 25.
O que mais interessava questionar nesta altura não era o facto de MJS se demitir agora depois de nada ter feito durante 2 anos, mas o facto de este Governo de direita não ter uma ideia que seja sobre o português no mundo, sobre a posição geoestratégica da Língua Portuguesa numa sociedade globalizada e de ter asfixiado o Instituto Camões com um desprezo, como nenhum outro governo ousou fazer.
Ao não fazer isto, o PS ficou-se pelo fait-divers e deixou passar o fundamental. Atacou pela paixão e negligenciou a razão e a essência da paralisia do Instituto Camões.