domingo, novembro 09, 2014

O poder da palavra

Dizia-se da filha de certo Imperador da China que falava pouco porque sabia o poder das palavras. É óbvio que para o governo atual, talvez devido ao peso da dívida soberana, o facto de falarem por tudo e por nada sem que isso os faça dizer o que quer que seja, revela que nada do que dizem tem poder porque nenhum lhe atribuem.
Também a utilidade que dão às palavras que conhecem, revela sobretudo o quanto desconhecem outras. O baixo nível de língua que utilizam, chega a fazer corar os habitantes de Massamá, e boa parte dos residentes do que resta do bairro do Aleixo. Os de Belém já não se chocam, tal é a dormência que os envolve.
Disse-me um amigo que eles usam este nível de linguagem, não por opção, mas por não terem conhecimento de que haja outros. Tantos anos perdidos nas aulas de português, o professor a explicar os níveis de língua e as funções da linguagem para nada. Foi um desperdício de dinheiros públicos, uma gordura que se transformou em celulite e que nos trouxe a este lugar fundo e escuro onde embriagados pelo poder e inebriados pelos eflúvios que pairam junto do poder, como aerossóis que em vez de contaminarem pela legionella, contaminam pela bactéria da pobreza de espírito, e a arrogância que a ignorância sempre traz por siamesa.
É desta gordura que é constituída a massa informe que nos governa. Afinal eles não queriam acabar com as gorduras do Estado, queriam inalá-la, absorvê-la, ser simbioticamente com ela. Hoje eles são gordura, são a banha e o sebo que nos quer tornar num retângulo de camada adiposa em decomposição.

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