domingo, novembro 09, 2014

O poder da palavra

Dizia-se da filha de certo Imperador da China que falava pouco porque sabia o poder das palavras. É óbvio que para o governo atual, talvez devido ao peso da dívida soberana, o facto de falarem por tudo e por nada sem que isso os faça dizer o que quer que seja, revela que nada do que dizem tem poder porque nenhum lhe atribuem.
Também a utilidade que dão às palavras que conhecem, revela sobretudo o quanto desconhecem outras. O baixo nível de língua que utilizam, chega a fazer corar os habitantes de Massamá, e boa parte dos residentes do que resta do bairro do Aleixo. Os de Belém já não se chocam, tal é a dormência que os envolve.
Disse-me um amigo que eles usam este nível de linguagem, não por opção, mas por não terem conhecimento de que haja outros. Tantos anos perdidos nas aulas de português, o professor a explicar os níveis de língua e as funções da linguagem para nada. Foi um desperdício de dinheiros públicos, uma gordura que se transformou em celulite e que nos trouxe a este lugar fundo e escuro onde embriagados pelo poder e inebriados pelos eflúvios que pairam junto do poder, como aerossóis que em vez de contaminarem pela legionella, contaminam pela bactéria da pobreza de espírito, e a arrogância que a ignorância sempre traz por siamesa.
É desta gordura que é constituída a massa informe que nos governa. Afinal eles não queriam acabar com as gorduras do Estado, queriam inalá-la, absorvê-la, ser simbioticamente com ela. Hoje eles são gordura, são a banha e o sebo que nos quer tornar num retângulo de camada adiposa em decomposição.

sexta-feira, novembro 07, 2014

Hoje não será excêntrico

O inefável Pires de Lima depois de ter tomado consciência de que aquilo a que chama ironia ou excentricidade não passou afinal de um episódio de auto humilhação e de uma criancice indigna de um membro do governo (talvez porque não se sinta membro do governo - ninguém lhe liga a não ser o outro a quem também já ninguém liga nenhuma). Disse lá nas berças onde teve de ir fazer de conta que se sentia ministro, que "hoje não serei criativo.". O País agradece. Sobretudo porque aquilo a que ele chama criatividade embaraça o já degradado estado em que se encontra a imagem que este governo exala para o mundo.

Pires de Lima e a voz arrastada e lenta

No debate de ontem da Assembleia da República o Ministro substituto do Álvaro da Economia, o tal que não tinha o poder que Pires de Lima disse que um Ministro da Economia de veria ter, teve  uma intervenção talvez irónica, ou simplesmente parva. Não percebi francamente se aquilo que o Ministro oriundo do mundo das cervejas e das águas protagonizou é a sua forma de se achar engraçado, ou se se esqueceu de uma norma de segurança da condução rodoviária que também se aplica a ministros que fazem audições parlamentares. Francamente aquele tom de voz arrastado, a forma como se agarrava ao microfone a meneava a cabeça deixam-me muitas dúvidas sobre o entendimento da intervenção como irónica, ou simplesmente apalhaçada, ou se se estaria perante um discurso sob a influência de outro tipo de inspiração que não a de índole retórica parlamentar. Em todo o caso um episódio lamentável de um ministro que ainda não conseguiu fazer outra coisa senão desmentir-se sempre que o governo decide exatamente o contrário do que ele apregoa. Antes o Álvaro.