domingo, junho 19, 2011

Os verdadeiros portugueses chegam ao poder

Parece que houve gente que passou boa parte dos noticiários e entrevistas a dizer que o Governo cessante era péssimo e deu cabo da economia, gente excelente a fazer diagnósticos e a dizer o que era preciso fazer, a tirar do bolso as soluções que eles, os que são magos da economia e que espetavam o dedo nas feridas económicas do Governo anterior e que tinham todas as soluções no bolso das calças prontinho a sair, mas que depois não tiveram a coragem de dar o passo à frente e aceitar ser ministros, executar as suas brilhantes ideias. Mas não, afinal há mais Antónios Barretos, neste país, sabem tudo mas não estão disponíveis para ir para a cara do touro.
Vítor Bento parece ter sido um desses, que os Gatos Fedorentos celebrizaram: Falam, falam mas não dizem nada, e pior, não fazem nada, nadinha, népia, não sabem afinal nada. Destes magos, apenas Nuno Crato foi incapaz de resistir e deu o passo em frente. Vamos ter oportunidade de ver ao menos um dos magníficos televisivos. A ver vamos. Estou expectante para o ver lidar com aquelas direções-gerais, que minam qualquer ideia séria em Portugal sobre educação. Quero vê-lo a lidar com um ex-ministério da Ciência e Ensino Superior que se tinha libertado do jugo daquela massa informe e lamacenta que é a máquina do Ministério da Educação.
Espero que o Ministro das Finanças consiga ser mais do que a correia de transmissão do lugar de onde vem. Portugal merece mais do que um mero comissário político da Comissão Europeia e, bem mais grave, uma extensão da Chanceler Merkel e do tacão alto do Sarkozy.

domingo, junho 05, 2011

Honra e sentido de Estado

O Engenheiro José Sócrates demonstrou no seu discurso sobre os resultados eleitorais, o que nenhum outro membro da até agora oposição foi capaz nas eleições de 2009: um discurso de Estado sem se alhear das responsabilidades, sem ressabiamento, sem insultar, sem rancor. Foi uma verdadeira lição de democracia aos que na eleição presidencial foram baixos de sentimentos, aos que nas eleições de 2009 não foram capazes de aceitar a derrota, aos que nestes 6 anos de governação do PS, tudo fizeram para atingir pessoalmente o primeiro-ministro de Portugal no maior ataque pessoal que alguma vez foi orquestrado em Portugal contra um homem público.
O engenheiro José Sócrates manteve, na hora de se despedir da vida de serviço público, a dignidade e a honradez que muito falta aos homens públicos neste país.