sábado, outubro 10, 2009

Assembleia Municipal de Lisboa...

Há mistérios absolutamente inexpugnáveis.
Simonetta Luz Afonso aparece como número um na lista para a Assembleia Municipal de Lisboa. Francamente, ver a sua cara sistematicamente sisuda atrás de António Costa, numa tristemente denominada "arruada" ou com o seu ar de enfado e de quem está a fazer um frete na mesa, durante o jantar comício, ou coisa semelhante, em que aparece nas imagens televisivas mais uma vez ao lado do candidato do PS a bater palmas a reboque, não me parece que augure nada de bom naquela Assembleia, nem ao necessário diálogo que quase inevitavelmente vai ter de estabelecer com os outros deputados municipais (já para não falar das sessões em que o povo de Lisboa se faça apresentar para as discussões públicas). Enfim, António Costa deve ter pensado bem nisto quando meteu uma pessoa com o perfil de Simonetta Luz Afonso como candidata naquela posição. Mas com aquela disposição tão ostensiva e indisfarçável, não me parece que seja uma mais-valia para a recolha de votos de que a coligação liderada por António Costa tanto precisa para derrotar a direita.
A atual, antes reformada, que voltou ao lugar de Presidente do Instituto Camões, ao que afirmou o Ministro da tutela, para tratar da Lei Orgânica do Instituto, recentemente publicada - talvez pelas suas qualidades de jurista e pela sua visão sobre a promoção da cultura portuguesa no mundo na sua qualidade de gestora cultural -, não se percebe se já abandonou funções, se não o fez ainda. Certo é que não estará a cuidar das petúnias nem da sua horta. Em tempos queria tratar de uma qualquer igreja perdida em Sintra ou pela serra, não se percebe porque não o faz, preferindo a Assembleia Municipal ao justo retiro da reforma, prefere o Conselho Geral de uma Universidade vetusta, vá-se lá perceber porque se escrevem cartas de despedida. É uma partida, coisa de brincadeirinha, primeiro escreve a cartinha, depois volta e o adeus passa a até já.

domingo, setembro 20, 2009

Leite derramado pela Língua

Ficou provado pelas gravações televisivas que Manuela Ferreira Leite e a Língua Portuguesa têm uma relação difícil. Há até quem diga que Manuela Ferreira Leite ataca os Cabo-Verdianos e os Ucranianos nas obras públicas porque estes imigrantes conseguem atingir um nível de proficiência linguística em Português muito superior à líder do PiSD num piqueno período de tempo coisa que ela não conseguiu até hoje tendo passado pelos bancos da escola, sendo depois professora universitária (e não me venham dizer que uma professora de economia está isenta de fazer as concordâncias de singular/plural ou masculino/feminino), Ministra da Economia e por aí fora. Até corre o boato maledicente de que terá sido Ministra da Educação de Portugal.
Pensar que esta Senhora Manuela Ferreira Leite, que é um péssimo exemplo de utilizador da Língua portuguesa, que, pelos vistos, nada faz para se corrigir, pode, se chegar a primeiro-ministro, vir a ser responsável pela difusão da Língua Portuguesa no estrangeiro, através do Instituto Camões. Quem é que o MNE, caso tal venha a suceder, irá nomear para Presidente do Instituto Camões? O Tino de Rãs, para provar que também coloca pessoas da oposição? Algum dos intervenientes no Programa da RTP "A liga dos últimos"?
Como é que uma pessoa que nem se sabe expressar corretamente e não percebe que fala mal, que pontapeia a gramática portuguesa de forma selvática, vai perceber a necessidade de haver uma política de Língua?
Manuela Ferreira Leite afirma que Portugal vive no medo e na asfixia democrática. Eu estou com medo confesso, estou mesmo com muito medo de que a asfixiadora da gramática da Língua Portuguesa possa ganhar, pois sei que o que espera Portugal é o medo de ser apanhado a falar Português corretamente e de, por isso, ser acusado de deixar ficar mal visto o primeiro-ministro. Tenho medo de que venhamos a viver um período de asfixia linguística, de medo gramatical, de perseguição aos que insistam em continuar a aplicar as regras de concordância que regem a nossa língua.
Tenho medo que venhamos a ser forçados a aprender o pidgin Leitês e que tenhamos de fazer uma reforma sintática da norma padrão da Língua Portuguesa que não será facilmente aceite pelo Brasil ou pelos membros da CPLP, podendo Portugal, no limite, correr sério risco de ser expulso daquela organização por já não cumprir um dos requisitos estatutários principais: ser um país de língua portuguesa.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Meados de Maio

Lembrei-me agora de que li em Abril, penso que no Público, que o Ministro dos Negócios Estrangeiros iria indicar o nome do próximo Presidente do Instituto Camões em meados de Maio. Na semana passada dei pela publicação em DR da nova Lei Orgânica deste Instituto e de outros diplomas relacionados. Verifico agora que o Senhor Ministro deixou chegar Agosto e não indicou o nome do futuro presidente e também devo reconhecer que o Senhor Ministro não disse a que ano se referia e Maios há muitos, um por cada ano por vir.
Percebo agora que a tão curto tempo de novas eleições nenhum dos nomes falados e, sobretudo do nome não falado, aceitaria ser nomeado em fim de peça, para depois se arriscar a ser posto em causa caso não se verifique uma vitória do actual partido no poder (não me interessa agora se essa hipótese de vitória eleitoral é mais ou menos possível agora).
Não há dúvida sobre a noção de importância que o Governo atribuiu durante a legislatura à Internacionalização da Língua Portuguesa nas suas proclamadas prioridades e ainda à pouco as ouvi reditas, pela boca do Senhor Ministro Amado, num, tão oportuno quão doloroso - doloroso pela repetição de lugares comuns, oportuno pelo momento que a ASDP proporcionou aos que falaram e em particular aos responsáveis políticos presentes, incluíndo a presidente em exercício do Instituto Camões, de dizer algo que tivesse correspondência com a realidade política a transformar - seminário organizado pela Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses, num auditório da Assembleia da República e onde também tive o prazer de ouvir o actual Presidente desta Assembleia falar como se ele próprio nunca tivesse tido responsabilidades na área dizendo, coisa curiosa, que Portugal não tem uma política de língua para o Português no Mundo. Gostava que os serviços do seminário tivessem gravado estes discursos.
Enquanto tudo isto não se passa, a Senhora Presidente do Instituto Camões, que em tempo que considerou oportuno saiu ao que se diz, reformando-se, continua Presidente e o Instituto Camões lá está imutável apesar das novas responsabilidades.